quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro 1809 - 1871


Nasceu em Nogueira do Cravo, pensa-se que na Rua do Saco, filho de Alexandre Campos de Abreu e Vasconcelos e de D. Rita de Figueiredo, foi baptizado em 1809, ano do seu nascimento. Manteve sempre o seu estado civil de Solteiro nunca tendo casado. Estivera matriculado na Universidade de Coimbra no "1º. ano de Leis" em 1829 e no 2º. ano em 1830. Não aparece matriculado no 3º. ano. "Teria sido levado pelos sentimentos e princípios de sua família e se alistara no exército de D. Miguel," voluntários realistas, como tenente de caçadores. Fizera a guerra civil seguindo os ideais absolutistas de D. Miguel contra o exército liberal de D. Pedro IV.
A guerra civil (1826-1834) fora dura e sangrenta e originara muitas baixas de ambos os lados. Bernardino sobreviveu e em 26 de Maio de 1834-tinha 25 anos de idade assinava-se a convenção de Évora Monte, de que D. Miguel e seu partido saíam derrotados. Os seus regimentos seriam dissolvidos e partiria para o exílio no dia 1 de Junho, desse ano.
Bernardino que jurara fidelidade a D. Miguel, continuou fiel à causa que defendia e passou à clandestinidade em Lisboa, faz-se jornalista e colabora no jornal clandestino "Portugal Velho", defendendo, ainda, os princípios do absolutismo.
Após a sua estada por Lisboa na clandestinidade Bernardino exila-se no Brasil, fixa-se em Pernambuco, renuncia a toda a actividade política e dedica-se ao ensino de História, Geografia e Latim, no Colégio Pernambucano. Escreve livros de carácter didáctico, como a História Geral em 6 volumes. O 1º. sobre a História Sagrada do Antigo Testamento, o2º. sobre a História da Vida de Jesus Cristo e dos Apóstolos e História dos Judeus desde a dispersão até aos nossos dias, o 3º. sobre a História Antiga e Grega, o 4º. sobre a História Romana e da Idade Média, o 5º. sobre a História Moderna e o 6º. sobre a História de Portugal e do Brasil.
Escreve, ainda, o romance histórico, descritivo, moral e crítico " Nossa Senhora de Guararapes", que tem por fundo os encontros sangrentos entre portugueses e holandeses em 1648 e 1649, nos altos montes de Guararapes, na região do Recife.
As saudades da Pátria e da sua terra são enormes, Bernardino escreve: "Saudade, nome melodioso e suave, mas enternecedor! Vocábulo sem par! Que inveja fazes a tantos povos, os quais, por que te não sentiram, não te souberam exprimir. Ditosa língua que tal expressão possuis! Ditosa terra que tal língua tens! Ah!. Pátria minha! Tu o foste! Aceita cá de longe o suspiro da mais viva saudade que te envia o desterrado filho teu."
Mas os portugueses não estavam seguros em Pernambuco. Certos partidos brasileiros exigiam a expulsão dos portugueses do Império. Bernardino decide-se embarcar para solo português. O objectivo agora é sair de Pernambuco e estabelecer-se numa possessão portuguesa de África.
Organiza uma colónia agrícola de povoadores portugueses estabelecidos em Pernambuco e avança com o projecto.
Escreve para o Ministério da Marinha e Ultramar a solicitar relatórios sobre Angola. Simultaneamente pedia auxílio material, a fornecer pelo Estado, que permitisse o transporte de pessoas e bens desde o Recife até local a escolher, em terras angolanas.


A 23 de Maio de 1849, finalmente a concretização do projecto. Partia de Pernambuco, a barca "Tentativa Feliz" e o brigue da marinha portuguesa "Douro" com 166 portugueses a bordo, rumo ao estabelecimento de Moçâmedes, na Província de Angola, então província do reino de Portugal. Após 73 dias de viagem chegam ao destino. Entram na baía de Moçâmedes e avistam um vasto areal servido por um rio seco, o rio Bero, que mais tarde Bernardino chamou de Nilo de Moçâmedes, porque na época das chuvas a água das enxurradas invade toda a terra, trazendo os fertilizantes naturais para novas sementeiras, num microclima temperado. Era ali que os novos colonos iam reconstruir as suas vidas em tranquilidade, em paz e em território pátrio. Era o dia 4 DE AGOSTO DE 1849, que ficou na História como o dia da FUNDAÇÃO DE MOÇÂMEDES.
Houve recepção de boas vindas, discurso oficial pelo governador do distrito na presença das autoridades tradicionais: sobas Mossungo e Giraúl. Ficaram alojados em barracões construídos de pau a pique, cobertos de palha e amarrados com mateba ou cordas de cascas de árvores.
No dia seguinte foram conduzidos às áreas agrícolas onde foram distribuídas as terras. Bernardino seguiu para Luanda no dia 16 de Agosto afim de apresentar cumprimentos ao governador geral.
No dia 21 de Outubro foi a instalação, no Vale dos Cavaleiros, dos engenhos de açúcar: às 7 da manhã içou-se, no local, a bandeira portuguesa, na presença do governador do distrito, com uma salva de 21 tiros. Bernardino ergueu a sua habitação no Sítio da Bandeira, (designação que ficou na tradição popular), no Vale dos Cavaleiros.
No dia 13 de Outubro foi investido num cargo no Conselho Colonial de Moçâmedes. Uma vida de líder, de rija têmpera, apostado em tudo fazer pela "sua" colónia.
Mas havia uma outra luta que todos eles estavam empenhados: a abolição da escravatura.
Bernardino não permite na sua fazenda mão de obra escrava. Bate-se pela abolição da escravatura. Escreve em 1857: "os poucos pretos com quem trabalho, podem hoje ser livres porque continuarão a ser úteis. Eduquei-os com boas maneiras e não com castigos bárbaros e por isso não me fogem e vivem satisfeitos. Não me agrada a distinção entre escravos e libertos, nem a admito na minha fazenda. Todos são agricultores com iguais direitos e obrigações". Em 1858 Portugal decretou que, passados 20 anos não poderia haver escravos; mas, 11 anos depois, em 1869, aboliu o estado de escravidão.
Sabe-se que Bernardino foi generoso para com os companheiros mais desafortunados. A sua casa fora uma espécie de hospedaria ao visitante.
Bernardino faleceu pobremente, no dia 14 de Novembro de 1871. Tinha 62 anos de idade. Faleceu quando regressava de Luanda, onde tinha ido em serviço da comunidade. Causa da morte: uma pneumonia dupla. Não se sabe o local, no cemitério, onde foi sepultado.
Moçâmedes foi elevada a cidade em 1907, 36 anos após a morte de Bernardino.
Uma vida de luta, sacrifício e dor na procura dos ideais que tanto ansiava, onde certamente nem sempre foi valorizado devidamente nem na vida nem na morte.
Passados quase duzentos anos do seu nascimento, são muitos os que na sua terra natal desconhecem a história de tão nobre homem, no entanto já anteriormente muita gente quis honrar seu nome. Exemplo disso mesmo, é o “Jornal O Catre”, um jornal da década de 80, que era dirigido pelo Grupo de Jovens Unidos a Cristo, que já em Novembro de 1985 publicava a história de Bernardino pedindo que se fizesse justiça ao nome de tão grande figura. Em Fevereiro de 1987, o mesmo Jornal pedia que se atribuísse a uma Rua Nogueirense, o nome deste, e em Maio de 1988, lembrou a Autarquia que o seu pedido ainda não tinha merecido a melhor atenção, tendo vindo mesmo a ser feita a vontade dos Jovens e a devida homenagem a este grande homem.
Está também planeado, para a data em que se assinalam os 200 anos do nascimento de Bernardino, o erguer de um busto do mesmo na terra que o viu nascer. Iniciativa louvavél em que certamente será necessária a colaboração de todos para que se consiga alcançar esse objectivo. Que esta pequena e abreviada biografia sirva, para além de dar a conhecer a história de vida de tão grandiosa figura, para mover a população Nogueirense e não só, a colaborar e a divulgar tão nobre e justa causa.

RF/CM

19 Olhares:

Master disse...

O "Olhar Nogueira do Cravo", agradece a colaboração e o envio do excelente trabalho desenvolvido por estes visitantes do blog. Que seja uma iniciativa a tomar por todos na divulgação dos diferentes assuntos de interesse da nossa aldeia. O meu sincero obrigado.

António disse...

Na sequência do que foi dito noutro local do blog, informa-se que, no último sábado, uma comissão adoc, promotora da homenagem a BERNARDINO, reuniu-se na Junta de Freguesia com o seu executivo.
A ideia e o modo de fazer a homenagem foi bem acolhida , prosseguindo no próximo sábado, desta vez já com a presença do escultor.
Serão dados, posteriormente, mais detalhes à população com a exibição de uma fotografia inédita via comunicação social.
T

Anónimo disse...

Há uns tempos que me vou apercebendo de certas pistas dadas por alguém, sobre "Homenagem a Bernardino", que se vai realizar em Nogueira e de concreto gostava de saber mais sobre o assunto. Haja quem comente; o master está na mencionada comissão?

Master disse...

Para lhe ser sincero conhecia mal a história de tal figura Nogueirense, e foi através do email recebido que soube mais acerca de Bernardino. Não integro a comissão nem lhe sei dar mais informações acerca da dita homenagem, no entanto deixo o repto aos elementos constituintes da comissão para que nos informem dessas mesmas interrugações. Boa continuação.

Anónimo disse...

Gostava de saber quem é a comissão?

António disse...

De facto têm sido dadas pistas, não só quanto a BERNARDINO, mas também quanto a outras, mas que ainda não mereceram a atenção dos intervenientes neste blog.
Quanto à homenagem, ainda está numa fase preliminar. Contudo, logo que haja mais consolidação da proposta, será dado conhecimento à população.
A reunião já anunciada, foi adiada para mais uma semana, dada a indisponibilidade do escultor, pelo que, esperamos, seja então feito o anúncio devido à comunicação social.
T

António disse...

Uma das pistas levantadas tem a ver com comentários anteriores quanto ao foral de 1177.
Convidaria todos a lerem interessante informação da Comarca de Arganil de 16.10.2007, sobre aquela época na Vila de Nogueira. Posso adiantar que disponho de outra informação no tempo do Rei D. Sancho,portanto anterior, a necessitar de ser confirmada, mas que vem no sentido de dizer que a história não é só aquilo que todos dizem. É preciso investigar mais.
Gostava que os participantes interagissem com estes comentários, dando mais contributos.

Master disse...

Caro António, caso fosse de sua vontade e visto o enorme interesse dessa informação que dispõem, convidaria-o a partilhar com os restantes visitantes esses mesmos textos, ou então a elaborar um artigo do género do anteriormente enviado relativo a Bernardino. Penso que seria interessante ver os comentadores a debaterem essa mesma informação. Continue a visitar este seu espaço.

master disse...

Já agora solicitava-lhe, visto ter tido o cuidado de nos informar anteriormente da reunião com a autarquia com vista à homenagem a Bernardino, que nos informasse qual o ponto de situação após a reunião com a presença do escultor. Mais uma vez o obrigado pela colaboração prestada.

Anónimo disse...

O master comunicou à Ass.Freguesia e J.Freg., o resultado obtido no inquérito:Nogueira a vila?

master disse...

Comuniquei caro comentador, no entanto o modo utilizado, neste caso via email, não está disponível pois o endereço disponibilizado no site da Junta de Freguesia não está em funcionamento. No entanto essa mesma comunicação irá chegar às mãos do Sr. Presidente Adelino de Brito Henriques. Boa Continuação

António disse...

Confirmo a reunião ontem havida entre a comissão, presidente da JF e escultor.
Visitámos os dois locais que propusémos, junto à Igreja, tendo o escultor, em princípio, aceite e optado mais por um deles, elaborando dois ou três croquis para dar uma ideia do que poderia ser o monumento. Vamos aguardar que nos faça chegar projectos e orçamentos, para apreciação e opção.

António disse...

Como havia dito, foi publicado na Comarca de Arganil em 16 do crt.informação de dados históricos de Nogueira do Cravo. Sei que tem a ver com a recente publicação de livro por Francisco Correia das Neves(?), que ainda não li. Só depois de o fazer, verei do interesse em dar a conhecer aquilo de que disponho, isto para não haver duplicação. Até lá, seria de interesse para os Nogueirenses tomar conhecimento da investigação respeitante à nossa terra, da autoria daquele escritor.
T

master disse...

Caro António já tomei conhecimento desse mesmo livro do Autor do "Verbo dos Arguinas", segundo soube foi apresentado no passado dia 7 do corrente mês. Não sei se já adquiriu o mesmo, pois tenho tido dificuldades em encontrar a obra pelo que, caso já tivesse o livro em sua posse, nos informasse de onde se pode encontrar.

José Vasco de campos disse...

Caros Senhores,

Como parente mais próximo, a seguir a meu Pai e Tios, de Bernardino Freire, é com muita honra que vejo a intenção de o homenagear em Nogueira do Cravo, sua Terra Natal.

Cumprimentos.

José Vasco de Campos

António disse...

Gostaria que este familiar me confirmasse, se possível e assim o entender, se na àrvore geneológica, a ascendência vai até à família real na primeira dinastia ? É que a consulta que fiz na Internet (a parte mais antiga), levou-me a esses antepassados. A confirmar-se, seria interessante, mais tarde, dar a conhecer por ocasião da comemoração do bicentenário do nascimento de Bernardino, que desejamos, mas que só será possível com o apoio da autarquia(Junta e câmara).

Anónimo disse...

Caro António,
Corfimo a ascendência de Bernardino Freire nos Reis de Portugal. Para mais informações consulte:

http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=584348

Cumprimentos.

J. Vasco de Campos

António disse...

Caro José
Nos arquivos da Universidade tive algumas pistas da ascendência e descendência dos pais de Bernardino.
Contudo foi via internet que cheguei até D. Pedro e Dª Inês, daí que que pedi para me confirmar, o que agradeço.
Já agora informo que, não obstante as nossas diligências, quer a nossa Junta de freguesia, quer a Câmara Municipal, não estão disponíveis para subsidiar o evento. Não desistimos, mas está difícil. É incompreensível esta atitude.

João Alves das Neves disse...

Boa tarde.

Gostaria de indicar artigo sobre o escritor Bernardino Abreu e Casto, que romanceou Guararapes e fundou moçãmedes, no blog do jornalista e professor João Alves das Neves http://joaoalvesdasneves.blogspot.com/2009/05/cartas-da-diaspora-o-oliveirense-abreu.html.

Fabiola