quarta-feira, 20 de maio de 2009

Diário Eletrônico Brasil Portugal de João Alves das Neves

O artigo a seguir transcrito está publicado no blog do Jornalista, Professor Universitário e Escritor João Alves das Neves no endereço http://joaoalvesdasneves.blogspot.com

Cartas da Diáspora: O OLIVEIRENSE ABREU E CASTRO ROMANCEOU GUARARAPES E FUNDOU MOÇÂMEDES - Parte I


Há uma excelente biografia de Bernardino Abreu e Castro, que nasceu em Nogueira do Cravo -Oliveira do Hospital no ano de 1809, emigrou para o Brasil em 1839 e foi em 1850, com um grupo de portugueses e brasileiros, para Angola onde fundou Moçâmedes.
Cremos que o primeiro biógrafo foi o Padre José Vicente, que publicou uma série de crônicas no jornal "A Comarca de Arganil" e que em 1959 reuniu no livro "Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro" (1).

O jovem Bernardino era estudante de Direito em Coimbra, quando se alistou nas hostes do Rei D. Miguel I - que foi vencido em 1834 por seu irmão D. Pedro IV (Rei de Portugal, depois de ter sido Imperador do Brasil) - perseguido, o nogueirense fixou-se em Lisboa e tornou-se colaborador do jornal absolutista "Portugal Velho", que era dirigido por Albino Freire de Figueiredo (o “Conselheiro Velho”, do Pisão de Coja), talvez parente de Bernardino, que em 1839 embarcou para o Recife e se dedicou ao ensino no Colégio Pernambuco.

Professor de mérito, escreveu diversos livros de carácter pedagógico e, segundo o Padre José Vicente, publicou uma História Geral, em 6 volumes (História Sagrada do Antigo Testamento, História da Vida de Jesus Cristo e dos Apóstolos e História dos Judeus desde a dispersão até aos nossos dias, História Antiga e Grega, História Romana e da Idade Média, História Moderna e, finalmente, História de Portugal e do Brasil). Infelizmente, não conseguimos localizar até hoje nenhum dos 6 volumes nem tão pouco os livros que consagrou ao ensino.

O biógrafo cita o romance histórico, descritivo, moral e crítico "Nossa Senhora dos Guararapes”, assinado com o nome abreviado de B.F.F. Abreu e Castro, mas pouco mais adianta o Pe. Vicente, porque nessa altura ainda não teria recebido os 2 exemplares que lhe enviámos - um para ele e o outro para o Dr. Vasco de Campos, que era parente afastado de Bernardino. (“Guararapes”, na cidade do Recife, é o local em que portugueses e brasileiros natos inflingiram a derrota definitiva aos invasores holandeses, no século XVII).

Explicamos que em 1980 apareceu a 2ª. edição do “primeiro romance pernambucano” (impresso em 1847) por iniciativa da Fundação de Cultura da Cidade do Recife (2), com prefácio do historiador José Antônio Gonsalves de Mello e nota editorial de Leonardo Dantas da Silva. Trata-se, evidentemente de “reprodução facsimilar”, em 2 volumes, esclarecendo o prefaciador que o ficcionista português nascera “na senhorial Casa da Torre” em Portugal e morrera em 14 de Novembro de 1871 na povoação de Moçâmedes (Angola). Quando esteve no Recife dedicou-se ao ensino e publicou “livros didáticos (1841 e anos seguintes)”.

Decidiu refugiar-se em Angola por causa da “campanha antiportuguesa”, em Pernambuco, juntamente com outros emigrados, “que em número de 166, inclusive várias brasileiras casadas com portugueses, deixaram o Recife em 23 de Maio de 1849 com destino ao sul de Angola, onde chegaram a 4 de Agosto e onde se estabeleceram e fundaram a cidade e colônia de Moçâmedes” ao primeiro grupo juntaram-se mais 128 emigrados, “partidos daqui em 18 de Outubro de 1850”. O historiador José Antonio Gonsalves de Mello acrescenta que “ainda está por escrever o lado pernambucano da história desses dois grupos”, dizendo mais: “Lamentável como foi o mau nativismo que levou tantos portugueses a deixar o Recife, é certo que aquele trecho de Angola fosse por várias gerações um como que pedaço desgarrado de Pernambuco. Gilberto Freyre, ao visitar Moçâmedes, teve “a impressão de ser saudado por parentes”. O sociólogo brasileiro pouco mais esclarece, mas, adiante, daremos outros pormenores de um dos seus livros.

(1) O livro do Pe. José Vicente foi editado pela Agência Geral do Ultramar, Lisboa, em 1969
(2) A edição de Nossa Senhora dos Guararapes, de Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, foi promovida pela Fundação de Cultura Cidade do Recife – Secretaria de Educação e Cultura – Prefeitura da Cidade do Recife

3 Olhares:

João Alves das Neves disse...

Obrigada pela publicação do nosso artigo e divulgação do nosso trabalho. Em breve será publicada a segunda parte do artigo.

Aproveito a oportunidade para apresentar outro projeto que organizamos – www.revistalusofonia.woedpress.com, trata-se de um blog para discutir assuntos relacionados à língua portuguesa, com a colaboração de diversos autores. Contamos com a sua visita.

António disse...

Em breve esperamos dar informação sobre a homenagem a prestar este ano a Bernardinó, por ocasião da comemoração do bicentenário do seu nascimento.
No proximo dia vinte e três comemoram-se cento e sessenta anos da partida da barca à vela Tentativa Feliz, no lugar do Lamarão com destino à Angra do Negro.
Na ocasião das comemorações está previsto sair um revista sobre a vida de Bernardino, isto no caso de não falharem os apoio

João Alves das Neves disse...

Antonio.

Gostaríamos de divulgar o programa das homenagens à Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro.
Favor entrar em contato via e-mail meu endereço é jneves@fesesp.org.br